Como é a rede pública de transporte de passageiros no Brasil?

Estudo 'Ligações Rodoviárias e Hidroviárias 2016', do IBGE, faz um retrato da malha de transporte público
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O objetivo é desenvolver um quadro nacional de ligação entre os municípios / Foto: Divulgação

Da Redação

Vinte e seis estados, 159 rodovias federais e 46 mil quilômetros de rios navegáveis. Mesmo com números continentais, é possível cruzar fronteiras municipais no Brasil com pouco dinheiro no bolso. Quem sai de Baião, no Maranhão, por exemplo, com destino a Mocajuba, no mesmo estado, precisa desembolsar apenas R$ 1,00 para cruzar de ônibus os 34 quilômetros entre as duas cidades.

Pelo mesmo valor, também é possível atravessar os 30 quilômetros entre Cristino Castro e Palmeira do Piauí (PI), ou viajar pelos 10 quilômetros que separam os municípios de Várzea e Espírito Santo, no Rio Grande do Norte.

Já pra para percorrer os extremos brasileiros a bordo de um ônibus, o preço, claro, é muito mais salgado. Com R$ 931,26, compra-se uma passagem que permite sair Fortaleza, no Ceará, e ir até Pelotas, no Rio Grande do Sul.

Esses são alguns dos dados divulgados na publicação Ligações Rodoviárias e Hidroviárias 2016, elaborada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O estudo traz a análise da rede pública de transporte de passageiros, que conecta 5.423 cidades brasileiras.

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Para isso, foram apuradas informações em terminais rodoviários e hidroviários, paradas de ônibus, meios alternativos e pontos de venda de passagens de todo o país.

O objetivo era desenvolver um quadro nacional de ligação entre os municípios, indicando as localidades mais acessíveis do território, aquelas com acesso mais periférico ao sistema de transporte e as opções das pessoas na hora de se deslocar.

São 65.639 pares de cidades interconectados pelo serviço público, por terra ou água. A pesquisa abrangeu ainda aspectos como frequência semanal das viagens, custo e tempo dos deslocamentos.

Veja abaixo alguns dos dados da publicação:

VALOR DOS BILHETES

Para transitar entre os municípios Baião e Mocajuba (PA), Cristino Castro e Palmeira do Piauí (PI), e Espírito Santo e Várzea (RN), o custo da passagem é de apenas R$ 1. Esses são os bilhetes mais baratos do país.

Já a viagem mais cara por meio de transporte coletivo é a de Fortaleza (CE) a Pelotas (RS), com um custo de R$ 931,26. A distância entre as duas cidades é de, aproximadamente, 3.437 km em linha reta.

TRANSPORTES HIDROVIÁRIOS

As viagens hidroviárias possuem uma frequência bem inferior às rodoviárias e se localizam quase exclusivamente na região Norte. Roraima e Amapá são os estados mais “isolados” pelo transporte rodoviário: ainda que haja uma forte presença interna desse tipo de locomoção, são poucas as conexões com o restante da rede urbana. O Amapá, por exemplo, depende de Macapá para se ligar para fora do estado e isso acontece exclusivamente via transporte aquaviário

 

TRANSPORTES ALTERNATIVOS

O transporte informal é representado por agentes que não declaram CNPJ e, no Brasil, eles se concentram majoritariamente no Nordeste – das 221.371 ligações feitas por esse meio, 203.241 partem da região.

A região Sul apresenta o maior nível de formalidade, com apenas 467 conexões por meio de transporte alternativo.

 

DESTINOS INTERNACIONAIS

Os ônibus que partem para cidades estrangeiras têm em países do Mercosul seus principais destinos. São eles: Buenos Aires (Argentina), Montevidéu e Punta del Este (Uruguai), Ciudad del Este e Assunção (Paraguai), e Puerto La Cruz (Venezuela). As principais ligações partem de centros como São Paulo, Rio de Janeiro, Florianópolis, Porto Alegre, Manaus e Boa Vista, em direção, principalmente, a cidades turísticas.

 

DIFERENÇAS REGIONAIS

Ainda que seja a região mais populosa, o Sudeste gera menos saídas semanais de veículos (969.396,75) do que o Nordeste (1.311.789), o que ocorre porque há uma grande quantidade de transporte de curto alcance no Nordeste. A região Sul apresenta 578.401,75 saídas semanais, enquanto a região Centro-Oeste apresenta 304.043,25. A frequência mais esporádica é a da região Norte (227.866), justificada pelas longas distâncias entre as sedes municipais e o transporte majoritariamente hidroviário, que é mais lento.

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