João Amoêdo: “Eu vou privatizar todas as empresas públicas”

O ex-banqueiro João Amoêdo é a escolha do partido Novo para a corrida presidencial. Em entrevista exclusiva, ele falou sobre sua visão de Estado, fez críticas ao deputado federal Jair Bolsonaro, e diz que, apesar de defender que a lei seja cumprida, prefere uma eleição com Lula na disputa
socioeconomia.org
Após ajudar a fundar o partido Novo, em 2008, João Amoêdo, de 55 anos, vai disputar sua primeira eleição / Foto: Antonio Scorza

Por Renan França e Sergio Marcondes

João Amoêdo acredita que pode ser a novidade na corrida presidencial de 2018. A crença não vem da imagem estereotipada que carrega, de banqueiro bem-sucedido prestes a disputar a primeira eleição. Amoêdo acha que sua candidatura pelo Novo, partido que ajudou a fundar, vai inaugurar um projeto inovador na gestão do país. “Nossa ideia é propor um modelo de gestão do Estado cada vez menor, focar em produtividade e empreendedorismo. Mas o mais importante é que temos essa filosofia interna. Nosso partido é uma instituição, e o modelo vem antes dos candidatos. À medida que as pessoas entram, a mentalidade permanece. Seremos uma novidade pela proposta”, conta.

Seis dias após anunciar, em novembro, a pré-candidatura, João Amoêdo recebeu a reportagem do Socioeconomia.org para a segunda entrevista da série “Personagens da política para 2018”, que discute temas socioeconômicos com lideranças políticas que devem se destacar no ano que vem. Simpático, Amoêdo chegou à sede do Partido Novo, em Ipanema, bairro da Zona Sul do Rio com Indice de Desenvolvimento Humano (IDH) similar ao da Noruega, numa quinta-feira ensolarada, falando no celular e se desculpando pelo pequeno atraso. Alguns minutos depois, serviu água aos convidados e começou a falar sobre o maior objetivo da carreira: chegar à Presidência da República.

LEIA TAMBÉM: Personagens 2018 #1 – Fernando Haddad: “A extrema direita nunca ligou para a educação”

Amôedo tem voz serena e conversa olhando nos olhos do interlocutor, sempre colocando os pensamentos de forma objetiva. Para ele, o projeto do Novo tem robustez e serve como uma terceira via da direita aos eleitores insatisfeitos com o rumo da política brasileira. Mas, por enquanto, a largada foi modesta. Ano passado, nas eleições municipais, dos 142 candidatos lançados pelo Novo ao cargo de vereador em cinco capitais (Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre e Curitiba), apenas quatro foram eleitos (2,8% do total de candidatos); a capital paranaense não ganhou representantes do partido. A Rede Sustentabilidade, partido de Marina Silva, também fez sua estreia no pleito municipal e, apesar de um desempenho abaixo do esperado, conseguiu 181 vereadores (5,2% do total).

O plano que mira a cadeira presidencial serve para virar esse jogo. Amoêdo almeja o cargo mais importante do Executivo, mas, sobretudo, quer que o partido seja conhecido. Por isso, as pretensões são grandes. A legenda vai lançar, ano que vem, 300 candidatos ao cargo de deputado federal, querendo eleger 35. Grande parte deles com histórico profissional fora da política – como a maioria dos cerca de 15 mil filiados ao partido.

À medida que fica conhecido, o Novo vai ganhando adeptos, mas o front de batalha de Amoêdo está em casa. Amoêdo tem como braço direito a mulher Rosa Helena, com quem está casado há 30 anos e tem três filhas. A advogada esteve ao lado do marido durante a maratona para criar o partido e hoje capitaneia o apoio familiar. “Com a crise, poderíamos ter optado por sair do Brasil, mas queremos deixar um país muito melhor. A batalha que enfrentamos só para fundar o Novo foi enorme. Uma luta para conseguir as assinaturas e várias idas à Brasília. O João está muito preparado. Aprendemos muito no processo”, diz Rosa, com olhos brilhando ao falar do marido, que conhece desde os tempos da adolescência.

Se o processo de fundação foi uma maratona, Amoêdo está acostumado a provas difíc