A violência explode em municípios de até 100 mil habitantes

Apesar da percepção do aumento de violência nas capitais, taxa média de homicídio em cidades com mais de 2 milhões de habitantes, como Rio e São Paulo, caiu quase pela metade

Polícia Civil de São Paulo faz perícia após homicídio no interior do Estado / Foto: Wikicomons

Da Redação

Você se sente mais seguro em uma capital ou numa cidadezinha do interior? O senso comum diz que quanto menor o município, maior a sensação de segurança. Mas os dados analisados de forma fria apontam o contrário.

Essa é a conclusão do segundo “Recortes Socioeconomia.org”, estudo produzido pelos pesquisadores do Instituto Dialog, que analisou as mortes violentas entre 2000 e 2015, a partir da base de dados do DATASUS.

Entenda o porquê do uso da taxa de homicídio por 100 mil habitantes
O padrão utilizado internacionalmente para calcular homicídio de uma determinada região é a taxa por 100 mil habitantes. O objetivo é permitir a comparação entre locais com diferentes tamanhos de população e neutralizar o crescimento populacional, permitindo a comparação a médio e longo prazos.

No ano 2000, em cidades com mais de 2 milhões de habitantes, a cada grupo de 100 mil pessoas morreram 44 de forma violenta. Em 2015, esse número caiu para 24. Entretanto, nas cidades do interior com população entre 20 mil e 100 mil habitantes, aconteceu o contrário: houve um aumento de 13 para 28 homicídios por 100 mil habitantes.

Para se ter uma ideia do aumento da violência no interior, no triênio 2003, 2004 e 2005 havia no país 512 municípios de até 100 mil habitantes que registravam taxas médias de homicídio acima da referência nacional, que era de 28,9/100 mil. Uma década mais tarde, no triênio 2013, 2014 e 2015 este número cresceu 99,6%, alcançando 1.022 municípios registrando índices acima da média do país.

 

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socioeconomia, aumento da violência

Há uma diferença clara entre as regiões do Brasil. Embora o número de municípios pequenos e violentos seja maior no Nordeste, o Centro-Oeste é a região com maior porcentagem de cidades nestas condições. Na região Sudeste, apenas 11% dos municípios de até de 100 mil habitantes têm taxas de homicídio acima da média nacional. Veja o gráfico abaixo.

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ONDE SE CONCENTRA A VIOLÊNCIA

Como é possível ver nos gráficos, o Nordeste, que lidera a lista, possui um padrão de municípios de pequeno porte violentos predominantemente no litoral. Já no Centro-Oeste, há três padrões: uma mancha em municípios fronteiriços, entre o Mato Grosso do Sul e o Paraguai; uma dispersão de cidades pelo estado do Mato Grosso; e uma mancha que se aglomera em municípios satélites de Brasília, que se junta a Goiânia e se estende pelas rodovias BR-060 e BR-153. No Sudeste, o padrão da violência no espaço territorial já apresenta uma concentração em cidades menores do interior, especialmente na Bacia do Rio Doce e na Zona da Mata.

O estudo também apresenta um análise sobre as regiões metropolitanas. De acordo com o “Recortes Socioeconomia.org”, as taxas de homicídio nas capitais evoluíram de forma semelhantes às taxas de suas cidades periféricas entre 2000 e 2015 contrariando a tese de “exportação” de violência para as periferias no período.

ALGUMAS CONCLUSÕES DO ESTUDO

  • Nos 15 anos da série histórica, as taxas de homicídio cumpriram trajetória consistente de queda nas cidades grandes;
  • Em todas as regiões do Brasil, a quantidade de municípios pequenos violentos aumentou entre 2005 e 2015;
  • A violência em municípios pequenos apresentou alguns padrões espaciais: ao longo de eixos viários; na periferia de grandes cidades; nas fronteiras internacionais;

Para acessar ao estudo completo, clique aqui.

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