As manias de ‘pão-duro’ dos bilionários

De relógio barato ao controle de papel higiênico na empresa: alguns dos maiores bilionários do mundo não perdem a chance de economizar

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Por Renan França

Certa vez, o mestre de xadrez bielorrusso Charles A. Jaffe afirmou: “Não é o seu salário que o torna rico, mas sim sua forma de gastar dinheiro”. Não é de se surpreender, portanto, que algumas das pessoas mais ricas do planeta façam “jogo duro” na hora de abrir a carteira.

Estamos falando de bilionários do porte de Bill Gates, o homem mais rico do mundo (segundo o ranking atual da revista Forbes), que possui cerca de 90 bilhões de dólares (277 bilhões de reais) – o equivalente a 90 vezes o PIB de países como Guiné Bissau. Com tantos dígitos na conta bancária disponíveis para aquisições de mimos como castelos, ilhas ou iates, é curioso saber que Gates usa no pulso um relógio que custou módicos 10 dólares.

Seguindo o exemplo do dono da Microsoft, o empresário indiano Azim Premji, fundador da Wipro Technologies, com quase 20 bilhões de dólares (61 bilhões de reais) acumulados, é outro que não faz feio na hora de economizar. Premji prega que ele e os diretores da empresa utilizem a classe econômica em viagens aéreas, e ainda controla a quantidade de papel higiênico nos banheiros da empresa.

PUNHO FECHADO, MAS VIDA BOA

Embora alguns dos homens mais endinheirados do planeta conservem hábitos econômicos, não significa que eles não desfrutem de um padrão de vida muito elevado. Pela renda de alguns, que equivale a mais de 70 vezes o maior prêmio da Mega-Sena (280 milhões de reais, em 2015), o grupo possui acesso a produtos e serviços que boa parte da humanidade sequer consegue sonhar.

Para se ter uma ideia da concentração de renda desses bilionários, segundo a Oxfam, confederação de ONGs que trabalha para a redução da desigualdade em 94 países, incluindo o Brasil, a fortuna das oito pessoas mais ricas do mundo é igual ao patrimônio da metade mais pobre da população mundial – o equivalente a 3,6 bilhões de pessoas.

TRABALHO FILANTRÓPICO

Talvez, por isso, tenha se tornado comum alguns super-bilionários desenvolverem trabalhos filantrópicos para ajudar, por exemplo, no combate à fome ou no desenvolvimento de pesquisas ligadas à saúde. Bill Gates, por exemplo, foi além. Já anunciou que 95% da sua fortuna será doada para obras de caridade após sua morte. O dono do Facebook Mark Zuckerberg seguiu a mesma linha, mas aumentou o percentual, prometendo deixar 99% para a filantropia.

Em outras palavras, por mais que tenham uma padrão de vida elevado, alguns bilionários acabam sendo exemplos de pessoas de hábitos simples, preocupadas em evitar desperdícios e, em alguns casos, colocando boa parte de sua fortuna para melhorar a vida de outros indivíduos. De qualquer forma, não deixa de ser curioso o estilo e algumas manias de alguns dos homens mais ricos e “pão-duros” da Terra. Veja alguns deles abaixo:

 

Mark Zuckerberg – Fortuna: US$ 72 bilhões (R$ 221 bilhões) 

Ele teria dinheiro suficiente para comprar uma Ferrari por semana, mas o dono do Facebook dirige diariamente um Volkswagen GTI, de 30 mil dólares (92 mil reais). Para se vestir, faz o estilo dos bilionários bem jovens, não dispensando jeans e camiseta básica. O ápice de seu desapego a gastos excessivos ocorreu em 2012, quando o americano foi visto comendo no McDonald’s durante sua viagem de lua de mel na Itália. Por falar no casório, Zuck não alugou nenhum local para realizar a cerimônia e preferiu organizar o evento na própria casa.

 

Bill Gates – Fortuna: US$ 90 bilhões (R$ 277 bilhões)

Esqueça o Rolex. No pulso do dono da Microsoft está um relógio de 10 dólares (30 reais). Gates também não usa lava-louça; acredite ou não, ele mesmo gosta de lavar os pratos e talheres após o jantar. Mas um dos hábitos mais curiosos dele é quando viaja para visitar o também bilionário Warren Buffett, no estado americano de Omaha. Gates convoca o amigo para buscá-lo no aeroporto – táxi, Uber ou motorista particular, neste caso, nem pensar.

 

Jeff Bezos – Fortuna: US$ 89 bilhões (R$ 274 bilhões) 

O segundo homem mais rico do mundo adota o estilo “pão-duro” no trabalho. Todos os funcionários da Amazon, por exemplo, precisam pagar pelo estacionamento se quiserem ir trabalhar de carro. Outra determinação de Bezos é que os empregados devem pagar por qualquer alimento que consumam na empresa.

 

Warren Buffett – Fortuna: US$ 74 bilhões (R$ 227 bilhões)

Um dos maiores investidores do mercado de ações da história, certa vez, declarou que prefere comer no McDonald’s a ter que gastar 100 dólares em qualquer jantar. E, por falar na rede de fast-food, é lá que ele gosta de fazer a primeira refeição do dia por cerca de 5 dólares. Já em relação aos bens duráveis, como automóveis, Buffet é radicalmente contra a troca de carro devido à rápida depreciação.

 

Azim Premji – Fortuna: US$ 19 bilhões (R$ 58 bilhões)

Nem os 19 bilhões de dólares acumulados foram suficientes para que o homem mais rico da Índia parasse de utilizar os triciclos motorizados conhecidos como tuk-tuk, muito populares no país. Seja pela rapidez ou pelo preço mais em conta, segundo o site Business Insider, Premji usa o serviço quando chega ao aeroporto de Nova Delhi, capital da Índia, após suas viagens a negócio. Outra preocupação que o indiano tem em mente é com o desperdício de papel dos funcionários em banheiros da empresa que comanda, a Wipro Technologies.

 

Charlie Ergen – Fortuna US$ 16 bilhões (R$ 49 bilhões)

O dono da distribuidora de TV por assinatura Dish Network gosta de economizar fazendo o próprio sanduíche para levar para o trabalho. Ele também só viaja em voos na classe econômica, e faz questão de se hospedar em quartos duplos com outros diretores da companhia durante viagens de negócios.

 

 

Jim Walton – Fortuna: US$ 38 bilhões (R$ 117 bilhões)

É um dos filhos do falecido Sam Walton, o fundador da grande loja de varejo Walmart, e é presidente do Arvest, o maior banco de Arkansas. Conhecido pelos hábitos de vida simples, Jim possui escritório em um prédio modesto de Bentonville e dirige um Dodge Dakota há mais de quinze anos.

 

 

John Caudwell – Fortuna US$ 2,4 bilhões (R$ 7,7 bilhões )

O inglês dono de uma das maiores varejistas de celulares do mundo, a Phone4U, assume que não admite comprar vinhos e roupas com preços elevados. Além disso, admite que corta o próprio cabelo.

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