Como financiar o desenvolvimento da Amazônia?

Time de especialistas se reuniu para debater o Ecossistema de Fundos que, na prática, funcionará como modelo de progresso para a região

A implementação de uma Nova Agenda Urbana é uma das preocupações do mundo globalizado / Foto: Sidney Oliveira (Agência Pará)

Da Redação

Quais seriam as formas de financiamento para o desenvolvimento de regiões como a Amazônia? Com recursos próprios, o setor público consegue realizar investimentos ou é necessário parceria com investimentos privados? Em busca de respostas para essas questões, um time de especialistas se reuniu em meados de maio para discutir formas de progresso socioeconômico e de infraestrutura urbana para o bioma. Na mesa de debates estava o tema Ecossistema de Fundos. Um sistema econômico de fundos públicos e privados inovador capaz de gerar um novo modelo de desenvolvimento para as cidades.

O encontro, denominado Mais Amazônia, realizado pelo Governo do Pará, pela ONU-Habitat e pelo Instituto Dialog, serviu para aproximar ideias em torno de um mesmo objetivo: desenvolver a Amazônia. Mas qual Amazônia? As grandes cidades que concentram milhões de pessoas ou municípios incrustados na florestas? A resposta é simples: todas elas.

A Nova Agenda Urbana, documento da ONU-Habitat desenhado a partir da Habitat III, elaborada no ano passado, serviu para elencar diretrizes para o desenvolvimento sustentável das cidades. Mas sabe-se que para aplicar os compromissos elaborados para centros urbanos ao redor do mundo é necessário uma adaptação à realidade amazônica. Para isso é urgente entender as demandas locais e, claro, ter um caminho de financiamento aliado a mecanismos de governança e transparência.

– O sonho de desenvolvimento da Amazônia não pode ser a simples transposição de padrões de uso e consumo que se consolidaram em outras unidades. Não adianta, não é aplicável – diz Simão Jatene, governador do Pará, estado que servirá de piloto para o Ecossistema de Fundos. – Por isso, o desafio é tirar o conceito do livros de economia e trazer para vida. Só assim vamos financiar os investimentos e trazer felicidade à Amazônia. O Ecossistema de Fundos é um passo adiante rumo ao desenvolvimento da região que sempre foi o futuro do país.

Quando entrar em ação, o Ecossistema de Fundos se tornará um importante pilar para a implantação das políticas de desenvolvimento. Isso porque o modelo é a materialização daquilo que sempre foi um desafio na aplicação de políticas públicas de desenvolvimento: unir capital público e privado numa relação de longo prazo em que as partes confiam uma na outra.

– O que precisamos alcançar é uma cultura de integração e convergência dos pensamentos. A partir do momento que identificamos a importância da Amazônia e suas particularidades, podemos começar a detectar o que é e onde necessita-se melhorias em infraestrutura. Partimos do princípio de que só o governo, neste caso, do Pará, não tem recursos suficientes para investir. É necessário atrair investimento privado, mostrando aos empresários um nível de segurança grande nos gastos – afirmou Elkin Velasquez, Diretor Regional para América Latina e o Caribe do ONU-Habitat.

De olho na praticidade da aplicação do Ecossistema de Fundos, o consultor da ONU Habitat Yoel Sieguel, que também participou dos debates, lembrou que qualquer projeto apresentado não deve esquecer que precisa apresentar valor ambiental, social e econômico.

– Se não tivermos todos os três ativos juntos não temos um plano. Esses três fatores caminhando em paralelo, além da parceria de empresários com os governos serão importante para que o formato dê certo.

O consultor espanhol Oriol Balaguer, da ONU Habitat, outro convidado do evento, também é um dos entusiastas da ideia do Ecossistema de Fundos. Ele citou o exemplo da cidade peruana de Rimaq, onde empresários da cidade e o poder público local decidiram investir em um dos bairros periféricos da cidade

– Em Barcelona aconteceu a mesma coisa no passado, na época em que ninguém queria ir ao Centro antigo. Rimaq está aproveitando a chance de uma parceria de entre o público e o privado para receber investimentos e se tornar um polo de trabalhadores da industria criativa, já que haverá recursos para isso. O Ecossistema de Fundos da Amazônia pode ser algo nesse sentido, só que com capacidade para coisas muito maiores. Pode servir para transformar toda a região amazônica, gerando riquezas, diminuindo a pobreza, e consequentemente a desigualdade.

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