Consenso Progressivo: uma ferramenta para a democracia

Utilizada pela ONU, entre outras organizações, ferramenta permite a tomada de decisão em grupo em busca de acordos entre os participantes
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Reunião de pauta do Socioeconomia.org discute ideias para reportagens para o site / Foto: Socioeconomia

Da Redação

A Rede Sustentabilidade – partido da provável candidata à Presidência da República, Marina Silva – prega em seu estatuto que todas as deliberações conjuntas devem ser feitas utilizando o método do Consenso Progressivo. Seja para nomear os representantes da Rede no pleito eleitoral ou para discutir questões cotidianas, tudo passa por reuniões onde não há pareceres monocráticos ou sem a concordância de todos os presentes. O partido acredita que questões políticas exigem um debate transparente e a maior unidade possível nas escolhas tomadas.

O CONCEITO

Consenso Progressivo é uma ferramenta de tomada de decisão em grupo que busca o máximo de acordo entre os participantes. A visão de cada um é valorizada, de modo que diferentes opiniões devem ser ouvidas e incorporadas no resultado. Para isso, é essencial saber consentir: as pessoas precisam se dispor a aprovar ideias que podem ir contra as suas crenças, caso compreendam que é o melhor a fazer para se chegar a um resultado satisfatório.

Não se trata de unanimidade, quando todos os envolvidos compartilham da mesma opinião e concordam plenamente com o resultado. Também não ocorre mediante votação dos pontos de divergência, de modo que a decisão da maioria prevalece. No consenso, dialoga-se em busca de um denominador comum e não se chega a lugar algum se os participantes não souberem abrir mão do individual quando necessário.

O PROCESSO

O Consenso Progressivo trabalha a aprovação por etapas, com perguntas e discussões sucessivas, para ir desatando os nós rumo a uma solução. Pode ser um processo demorado, mas não menos eficiente – a ONU, por exemplo, utilizou a metodologia na escolha dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), em um acordo com os Estados-membros que durou cerca de dois anos. Além disso, a ISO 26000, uma norma internacional de responsabilidade social a ser seguida por empresas, também foi construída assim.

O método pode ser adaptado a qualquer tipo de reunião, seja em grandes corporações ou pequenas ONGs. Hoje, alguns movimentos indígenas da América do Sul e demais movimentos sociais o aplicam nas deliberações. A equipe do Socioeconomia.org resolveu, então, adotar o exercício criativo do Consenso Progressivo nas reuniões de pauta.

A EXPERIÊNCIA NO SOCIOECONOMIA.ORG

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Equipe do site utiliza método do Consenso Progressivo na reunião de pauta / Foto: Socioeconomia

Mensalmente, a equipe de Comunicação responsável pelo conteúdo do Socioeconomia.org se reúne com os pesquisadores do Instituto Dialog para discutir sugestões de pauta. No encontro, utiliza-se o método do Consenso Progressivo para a escolha de matérias que serão publicadas no site. O vice-presidente do Instituto Dialog, Sergio Marcondes, é o mediador do encontro.

COMO FUNCIONA A REUNIÃO?

Cada participante elabora uma proposta e, em conjunto, o grupo esmiúça o assunto até formatá-lo em uma pauta jornalística.  São feitas rodadas de votações, até sobrar duas ideias que contam com o consentimento de todos. Caso um membro não concorde com algo, ele tem o poder de veto.

– É preciso ter um certo desapego da sua ideia. Dessa maneira, conseguimos enxergar valor nas dos outros, o que nem sempre aconteceria em dinâmicas diferentes. E, muitas vezes, outros pontos de vista são de fato melhores ou mais apropriados para o coletivo. Assim, o resultado final é sempre melhor – destacou Estêvão Menegaz, arquiteto e pesquisador do Instituto Dialog.

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