Gran Via, em Madri: mais bicicletas, menos carros

A avenida mais famosa da capital espanhola vai abrir espaço para os ciclistas da cidade

Principal via d0 Centro de Madri vai tirar espaço dos carros, privilegiando as bicicletas / Foto: Sascha Kohlmann (Flickr)

Por Camila Nogaroli

Os ciclistas e pedestres estão prestes a ganhar mais espaço na Gran Via, a avenida mais famosa de Madri. A prefeita da capital espanhola, Manuela Carmena, apresentou um projeto de reestruturação que estabelece a construção de faixas exclusivas para bicicletas e a ampliação de calçadas.

Em determinada parte da rua, os veículos particulares só poderão circular a 30km/h, pois a pista será dividida com os ciclistas. Outro objetivo é plantar mais árvores e remodelar as praças do entorno. A previsão é que as obras comecem em janeiro e terminem em outubro de 2018.

Esse tipo de planejamento urbano que privilegia o transporte não-poluente vem sendo adotado em diversas metrópoles. O intuito de diminuir a quantidade de automóveis e de integrar as bicicletas entre os diferentes modais envolve questões de meio ambiente, economia, saúde e lazer.

Para o presidente da Comissão de Segurança no Ciclismo da Cidade do Rio de Janeiro (CSCRJ), Raphael Pazos, trata-se de um processo de conscientização que se dá a longo prazo:

– As pessoas precisam ver que a bicicleta não é um artigo lúdico, mas sim um veículo garantido na legislação. O trânsito mata muito e os ciclistas querem respeito, segurança e infraestrutura. Quanto mais bicicletas e menos carros, melhor para o fluxo. O poder público tem que ter um olhar diferenciado para essa questão, pois quem pedala está se locomovendo, praticando exercício físico, ajudando na sustentabilidade, parando para consumir produtos, vendo o que acontece pelas ruas.

MADRI NÃO ESTÁ SOZINHA

O Rio de Janeiro é outra cidade que privilegiou ciclistas e pedestres. A Avenida Rio Branco, uma das mais importantes do centro da capital fluminense, teve um trecho de 600 metros fechado e transformado em passeio público durante as obras preparativas para a Olimpíada.

O local ganhou uma ciclovia que liga o centro à Zona Sul da cidade. O Rio tem hoje cerca de 450 quilômetros de ciclovia – a maior malha cicloviária da América Latina.

Já em São Paulo, a gestão do ex-prefeito Fernando Haddad (2013-2016) implantou cerca de 400 quilômetros, entre ciclovias e ciclofaixas (faixa destinada ao ciclistas, sem separação física entre a pista dos veículos).

A medida, na época, levantou polêmica já que, apesar dos elogios, houve muitas críticas em relação ao espaço destinado às bikes. O prefeito eleito João Dória (PSDB) prometeu fazer ajustes no sistema.

Na América Latina, outras metrópoles também ampliaram as artérias cicloviárias nos últimos anos.  Em Bogotá, na Colômbia, são trinta rotas; a mais extensa, de 26 quilômetros, é a do corredor Norte-Quito-Sur, que corta a capital.

O Sistema de Transporte Individual Ecobici, na Cidade do México, foi instituído em 2010 para incentivar a cultura do uso da bicicleta entre a população. Mesmo com o projeto, o local ficou na 1ª posição do ranking de 2016 das cidades mais congestionadas do mundo, elaborado pela empresa de GPS TomTom.

QUANDO A BICICLETA É A ÚNICA OPÇÃO

Localizada ao norte do estado do Pará, a cidade ribeirinha de Afuá tem uma população de 37.778 habitantes (IBGE 2016). O município, que está às margens dos rios Afuá, Cajuuna e Marajozinho, é reconhecido internacionalmente por ter abolido qualquer meio de transporte que não fosse a bicicleta.

As vias que interligam os pontos da pequena cidade são palafitas de madeira. No anos 1990, chegou a ser permitido que as pessoas circulassem de moto, mas o risco que causava aos pedestres acabou fazendo o prefeito, na época, a proibir o uso.

Os habitantes de Afuá adotaram a bicicleta até para transporte público. O afuaense Sarito Souza criou as “bicitáxis” a partir da junção de duas bicicletas, uma ao lado da outra; ele colocou estofado nos bancos e um guarda-sol para proteger os usuários das intempéries. Essa ideia foi utilizada por outras pessoas e se tornou uma ajuda financeira que dialoga com a sustentabilidade.

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