Por que o estado com a maior liberdade econômica não fica no Sudeste?

Ranking foi elaborado pelo Índice Mackenzie, que analisou indicadores de todas as unidades federativas do Brasil
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O Mato Grosso do Sul atingiu a primeira posição com nota 7.328, de acordo com o Índice Mackenzie / Foto: Wikicomons

Por Camila Nogaroli*

Se você planeja abrir um negócio no Brasil, um dos fatores a considerar na busca pelo sucesso é o estado onde o investimento vai ser feito, como aponta o Índice Mackenzie de Liberdade Econômica Estadual 2017 (IMLEE). E, diferentemente do que a maioria pode pensar, o melhor lugar não fica na região Sudeste: é no Mato Grosso do Sul que as políticas públicas mais favorecem a prosperidade dos empreendimentos.

O indicador mede de que forma as políticas das unidades federativas foram, em 2015, capazes de apoiar a liberdade econômica – ou seja, a possibilidade de os cidadãos atuarem no campo dos negócios sem muitas interferências governamentais, colaborando com o crescimento da economia. O desempenho de cada estado foi calculado por uma média que integra gastos públicos, tributação e mercado de trabalho, com pontuações variando de zero (menos liberdade) a dez (mais liberdade). O IMLEE seguiu a metodologia utilizada pelo Fraser Institute, do Canadá, para ranquear os países da América do Norte.

– Como país, o Brasil está em uma categoria de baixa liberdade econômica. A participação do governo na economia é excessiva, com muita regulação. Na pesquisa, vimos o que ocorre a nível municipal, estadual e federal, para entender o que é gasto e arrecadado. Ficamos impressionados com a quantidade de recursos envolvidos. A parte da tributação exagerada é o pior ponto para os cidadãos que querem investir em negócios – falou Ulisses Ruiz de Gamboa, pesquisador do Centro Mackenzie de Liberdade Econômica.

O Mato Grosso do Sul atingiu a primeira posição com nota 7.328, o que, de acordo com o estudo, indica que muita coisa ainda precisa melhorar para se chegar à máxima liberdade econômica. Em seguida, na lista de regiões com mais atrativos para quem entra no mercado, estão Pernambuco, Santa Catarina, Pará, São Paulo e Bahia, respectivamente. Já no fim do ranking, Rio de Janeiro, Roraima, Amapá, Sergipe e Acre apareceram como os piores locais para empreender.

Veja a lista completa abaixo:

Mapa: Centro Mackenzie de Liberdade Econômica

A SITUAÇÃO DO RIO DE JANEIRO

O caso do Rio de Janeiro foi destacado no Índice, por ser uma das unidades federativas mais ricas do país e estar entre as piores do ranking. Segundo a pesquisa, isso ocorreu devido às administrações estaduais e municipais, além das grandes intervenções econômicas do Governo Federal com a Copa do Mundo, as Olimpíadas e o Pré-Sal. Juntando o conjunto de decisões tomadas nas três esferas, o ambiente ficou menos propício ao desenvolvimento de novos negócios pelo setor privado.

– O Rio é um dos estados mais importantes para a geração de atividades e para o PIB, mas, ao mesmo tempo, a presença governamental é gigantesca. A crise fiscal não é gratuita e não é só pelo petróleo; trata-se de algo estrutural, com um super dimensionamento do setor público. Há certa liberdade no mercado de trabalho, mas a nota foi muito baixa no quesito tributação. Infelizmente, seria uma surpresa se não estivesse no fim da lista – destacou Ulisses.

*Estagiária sob a supervisão do editor Renan França

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