Tratamento de queimadura à base de tilápia

Pesquisadores brasileiros descobrem que membrana do peixe possui proteína que ajuda na regeneração da pele humana

Análise em laboratório mostrou que a pele da tilápia tem tem o dobro da quantidade de colágeno que a pele humana / Foto: Wikicomons

Da Redação

Assada, cozida, grelhada ou com molho. Nas mesas dos brasileiros a tilápia é um prato valorizado por seu sabor e seus benefícios alimentícios. Mas pesquisadores da Universidade Federal do Ceará (UFCA) descobriram uma nova utilidade para o peixe de água doce que vai além do cardápio. Graças a uma proteína na membrana, as tilápias podem ser usadas no tratamento contra queimaduras. E o melhor: são mais efetivas que o tratamento tradicional feito com pomadas cicatrizantes.

Análises feitas em laboratórios mostraram que a pele do peixe tem o dobro da quantidade de colágeno que a pele humana – especialmente o tipo 1, envolvido no processo de cicatrização do organismo. Além disso, o tecido do animal apresenta uma característica importante no tratamento de uma ferida úmida como a provocada pelo contato com fogo ou alguma superfície quente: tem alta capacidade de absorção de líquido, funcionando como uma esponja.

OUTRAS VANTAGENS

De acordo com estimativas, cerca de 1 milhão de pessoas sofrem queimaduras anualmente no Brasil. Ao cuidar desse tipo de lesão, o grande problema é o tempo que se leva para fazer a pele se regenerar – semanas ou até meses de recuperação. Por isso, costuma-se aplicar pomadas antibióticas, protegendo o local com gazes, que precisam ser trocadas diariamente.

Já no tratamento com a pele do peixe há uma facilidade, pois a substituição do material passa a ser feita, em média, a cada cinco dias. Os médicos acreditam que uma quantidade equivalente a sete tilápias é suficiente para cobrir uma queimadura que tenha acometido 30% do corpo de um adulto.

 

Tipo de pescado é abundante em rios do sul e sudeste do Brasil / Foto: Wikicomons

Em uma primeira etapa, cientistas começaram a testar o método em camundongos. No primeiro semestre deste ano, os testes passaram a serem feitos em pacientes voluntários com queimaduras de segundo grau – a primeira vez que isso ocorre no mundo, segundo os responsáveis. O desafio, porém, é esterilizar a pele do animal para deixá-la apta ao tratamento.

PROCESSO FEITO EM LABORATÓRIO

Antes de tentar fazer o processo de retirada da pele do peixe em casa para aplicar em uma queimadura é bom avisar: o método de retirada da membrana do peixe precisa passar por um processo de lavagem, radioesterilização (para eliminar possíveis vírus) e refrigeração feito em laboratório. No método, além da UFCA, a Universidade de São Paulo (USP) também participa do projeto ao ajudar no preparo do tecido para a aplicação médica. A previsão é de que a pesquisa termine em 2018 com cerca de 100 voluntários e o próximo passo será a aprovação do tratamento pela Anvisa para uma possível distribuição internacional.

 

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