Quantos dias é preciso trabalhar para comprar o iPhone 8?

Enquanto em um país da América Latina é preciso trabalhar 207 dias, na Oceania compra-se um iPhone trabalhando apenas dez. Veja em que posição está o Brasil no ranking elaborado pelo Socioeconomia.org
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No Brasil, o modelo mais barato do iPhone 8 (64 GB) custa R$ 3.999, enquanto o salário mínimo é de R$ 937

Por Camila Nogaroli*

O iPhone 8, a nova geração de aparelhos da Apple, foi lançado no Brasil no início de novembro, provocando o tradicional frenesi entre os apaixonados por tecnologia. Os comentários destacaram as novidades quanto ao design em vidro, à recarga sem fio, à qualidade da câmera e ao sistema operacional iOS 11. Porém, dessa vez, uma característica prevaleceu entre as demais: o preço.

O dispositivo chegou às lojas com o maior valor visto até então entre os smartphones da empresa americana. Aqui, de acordo com o site da Apple, o preço do modelo mais barato (iPhone 8 de 64 GB) é de R$ 3.999, e o mais caro (iPhone 8 Plus de 256 GB) chega a R$ 5.399.

Mas é fato que em breve o iPhone 8 perderá este posto para a geração seguinte. O iPhone X (lê-se “iPhone Dez”) foi anunciado em setembro como a grande inovação do império de Steve Jobs, com uma tela que ocupa toda a parte frontal do celular e sensores de reconhecimento facial. Ele já está à venda em países como Estados Unidos, Inglaterra, Austrália e França. Aqui no Brasil, ainda não há data de lançamento, mas o aparelho mais caro custará quase o dobro do modelo de entrada do iPhone 8.

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Em tempos de crise econômica, estes números provocaram discussões entre os consumidores brasileiros da “maçãzinha”. De acordo com Marcos Bedendo, professor de Gestão de Marca da ESPM-SP e sócio-consultor da Brandwagon, os preços no nosso país costumam ser desproporcionais em relação ao resto do mundo:

– A Apple entrou no Brasil recentemente. Antes, o Steve Jobs não queria operar aqui por conta das leis e dos tributos, não havia uma atividade da própria empresa, eram as operadoras que compravam e forneciam. Até hoje, as estratégias são poucas, de modo que eles pegam o valor do iPhone lá fora, já caro, e aplicam em relação aos nossos custos de importação e impostos, que são muito altos. Juntando isso à margem de lucro das lojas e às estratégias de marketing, os preços são determinados.

Para o especialista, mesmo assim, as vendas tendem ao sucesso:

– São os aparelhos mais sofisticados e cobiçados, ressaltando o aspecto simbólico da mercadoria. Ter um iPhone é status, prestígio, e é claro que, na hora de definir os preços, a Apple cobra por isso. E tem quem seja apaixonado pelo mercado de tecnologia; os chamados early adopters compram os produtos logo que saem e estão dispostos a pagar mais caro para ter acesso à novidade, por verem diferenciação e quererem testar – explicou Bedendo.

IPHONE 8 NO BRASIL É O MAIS CARO

O socioeconomia.org listou 13 países, onde a Apple possui lojas próprias, para analisar quantos dias uma pessoa que recebe um salário mínimo em cada um desses lugares precisaria trabalhar para comprar o iPhone 8. O cálculo foi feito considerando uma jornada de trabalho de 8 horas por dia e 22 dias por mês. O México é a nação em que é preciso trabalhar por 207 dias para conseguir comprar o aparelho. Já o Brasil, que também não vai bem no ranking, tem o iPhone 8 mais caro, fazendo a conversão de todas as moedas para o real.

Veja na tabela abaixo:

PAÍSUM DIA DE TRABALHO (SALÁRIO MÍNIMO, EM REAIS)*IPHONE 8 DE 64GB (EM REAIS)DIAS DE TRABALHO
México13,732831,23207
Rússia18,833148,7168
Brasil42,593999,0094
Turquia68,373553,6152
República Tcheca74,953146,442
Polônia82,243147,4539
Portugal113,173176,9829
Coréia do Sul151,762902,6820
França257,843100,3313
Reino Unido258,123007,112
Japão190,672282,0512
Nova Zelândia285,832833,3610
Estados Unidos (Califórnia)276,082297,49

*Os valores da conversão das moedas para real foram baseados na cotação do dia 13/10/2017, no site do Banco Central

Camila Nogaroli é estagiária sob a supervisão do editor Renan França

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