Temer ou Maia: quem teve mais votos nas eleições?

Se tudo seguir conforme o planejado, um deles terminará a quarta-feira como presidente do Brasil
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Maia vai presidir sessão na Câmara que decidirá o futuro de Temer / Foto: Agência Brasil

Por Renan França

Michel Temer e Rodrigo Maia. Se tudo seguir conforme o planejado, um deles terminará a quarta-feira como presidente do Brasil. Depois do recesso parlamentar de duas semanas, está marcada para hoje a sessão na Câmara que determinará quem ocupará a cadeira presidencial em Brasília.

A partir das 9h, deputados vão decidir se Temer poderá ser processado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) pela acusação de corrupção passiva, abrindo espaço para que o atual presidente da Câmara, Rodrigo Maia, assuma o comando do Executivo. Para que isso ocorra, seriam necessários pelo menos 342 votos.

A disputa por apoio nos bastidores do planalto entre o governo e oposicionistas é intensa. Michel Temer deseja vencer a sessão com a maior margem de votos para sair fortalecido. Já Maia, que presidirá a sessão, evita qualquer alegação de que esteja trabalhando para derrubar Temer. Mas, afinal, qual dos dois estaria mais legítimo, sob o ponto de vista do voto popular, para assumir o posto mais alto da hierarquia política do país?

POPULARIDADE NAS URNAS: TEMER X MAIA 
Veja abaixo o desempenho nas urnas de Michel Temer e Rodrigo Maia nas últimas quatro eleições. Só foram considerados os pleitos em que cada um foi líder de uma chapa ou disputou a eleição sozinho.

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O socioeconomia.org analisou o desempenho nas últimas quatro eleições que cada um disputou. Nesta análise, Temer vence a queda de braço com Maia, pois teve 683.382 mil votos nos quatro pleitos disputados – contra 469.378 votos de Maia. A última delas, porém, em 2006, o atual presidente tomou um revés nas urnas ao concorrer a uma vaga na Câmara, obtendo apenas 99.046 mil votos. Naquela ocasião, Temer entrou pelo quociente eleitoral com a ajuda do total de votos destinados ao PMDB.

Maia é outro que também não foi bem na última eleição disputada. Com 53.167 votos, ele foi eleito deputado federal com o pior desempenho eleitoral da carreira política. Sua votação mais expressiva ocorreu em 2006, quando conseguiu 235.111 votos e foi o 3º deputado mais bem votado do Estado do Rio.

Se levarmos em consideração as eleições após redemocratização do Brasil, em 1988, o ex-presidente Collor foi o candidato eleito com o menor número de votos. Em 1991, o alagoano chegou ao planalto após vencer o segundo turno das eleições com 35 milhões de votos. Em média, nas outras seis eleições seguintes, um presidente foi eleito com aproximadamente 48 milhões de votos.

PRESIDENTE DA CÂMARA ASSUMIR COMO INTERINO NÃO É NOVIDADE

Se Temer for afastado e Maia assumir, será a quarta vez que o presidente da Câmara dos Deputados se torna presidente do Brasil. Nas outras duas ocasiões, Carlos Luz, em 1955, assumiu o comando interino do Executivo após o afastamento do presidente Café Filho. Na outra, Ranieri Mazzilli, em 1961, assumiu interinamente após a renúncia de Jânio Quadros, e posteriormente após cassação de João Goulart em 1964.

UM HISTÓRICO DE INSTABILIDADE NA DEMOCRACIA

Após  o fim do mandato do presidente Washington Luís, em 1929, o Brasil precisou de 80 anos para que dois presidentes fossem eleitos consecutivamente sob as mesmas regras democráticas. Nos anos 1920, Arthur Bernardes, presidente entre 1922 e 1926, passou o bastão para Washington Luís. O então presidente foi sucedido por Getúlio Vargas em 1929, que virou presidente do Brasil após um golpe de Estado.

A troca de comando entre dois presidentes eleitos e que cumpriram seus mandatos sob as mesmas regras só voltou a ocorrer em 2009, quando o ex-presidente Lula foi sucedido pela ex-presidente Dilma Rousseff.

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